O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo recebe a exposição internacional “Insurgências – Vanguarda Feminista da década de 1970: obras da Coleção Verbund, Viena”, um panorama dedicado à produção de artistas que, a partir dos anos 1970, redefiniram a presença feminina no campo da arte contemporânea. A mostra, apresentada desde 2010 em instituições europeias e agora em exibição no Brasil, reúne cerca de 60 obras provenientes da Verbund Collection, destacando nomes fundamentais como VALIE EXPORT, Birgit Jürgenssen, Renate Bertlmann, Annegret Soltau e Cindy Sherman, entre outras.

Obra de Emma Amos

O conceito de “Feminist Avant-Garde” foi formulado pela curadora Gabriele Schor, diretora fundadora da coleção, para reconhecer o papel decisivo dessas artistas na renovação estética e política da arte do período. A exposição apresenta obras realizadas em fotografia, vídeo, filme, desenho e performance, linguagens que foram amplamente exploradas por essa geração para questionar a construção social da feminilidade e confrontar os códigos visuais que historicamente moldaram a representação das mulheres.

Obra de Renate Bertlmann

Organizada em cinco núcleos temáticos, a mostra aborda questões centrais da agenda feminista que emergiu no contexto das transformações culturais e políticas da década de 1970. Entre os temas investigados estão os papéis sociais atribuídos às mulheres, a multiplicidade das identidades femininas, a crítica aos padrões de beleza e a afirmação da sexualidade feminina como território de autonomia e experimentação. Ao tensionar imagens e narrativas tradicionalmente associadas ao feminino, essas artistas produziram obras que combinam radicalidade estética e contundência política — um legado que continua reverberando nas discussões contemporâneas sobre gênero e representação.

Obra de Birgit Jürgenssen

A apresentação no Brasil também inclui obras do acervo do próprio Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, incorporadas à mostra pela curadoria de Ana Gonçalves Magalhães, ampliando o diálogo entre a produção internacional e o contexto institucional da arte no país. O encontro entre essas obras evidencia a dimensão histórica e transnacional das investigações feministas no campo artístico, ao mesmo tempo em que reafirma o papel dos museus como espaços de revisão crítica das narrativas da história da arte.

Fundada em 2004 pela empresa austríaca de energia Verbund AG, a Verbund Collection reúne mais de mil obras de cerca de 250 artistas e consolidou-se como uma das mais importantes coleções corporativas dedicadas à arte contemporânea com perspectiva internacional.

Obra de Ulrike Rosenbach

Entre as artistas participantes da exposição estão Alexis Hunter, Anna Kutera, Anna Oberto, Annegret Soltau, Birgit Jürgenssen, Chiara Diamantini, Cindy Sherman, Elaine Shemilt, Eleanor Antin, Emma Amos, Florentina Pakosta, Francesca Woodman, Gabriele Stötzer, Gina Pane, Howardena Pindell, Jana Zelibská, Karin Mack, Katalin Ladik, Lorraine O’Grady, Mako Idemitsu, Marcella Campagnano, Margot Pilz, Martha Rosler, Mirella Bentivoglio, Natalia LL, Renate Bertlmann, Sanja Iveković, Ulrike Rosenbach, VALIE EXPORT e Veronika Dreier.


Serviço: Insurgências – Vanguarda Feminista da década de 1970: obras da Coleção Verbund, Viena, com curadoria de Gabriele Schor e Ana Gonçalves Magalhães, tem abertura em 28 de março de 2026, às 11h, com visita guiada por Schor às 12h, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301, Ibirapuera), em São Paulo. A exposição permanece em cartaz de 28 de março a 28 de junho de 2026, com visitação de terça a domingo, das 10h às 21h, e entrada gratuita.

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Publicado por:Philos

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